sábado, 18 de outubro de 2008

KOSICK - Dialética do Concreto

Dialética do Concreto


Cap .1

O mundo da pseudoconcreticidade e a sua destruição

A dialética trata da “coisa em si”. Mas a “coisa em si” não se manifesta imediatamente ao homem. Para chegar à sua compreensão, é necessário fazer não só um certo esforço, mas também um détour. Por este motivo o pensamento dialético distingue entre representação e conceito da coisa, com isto não pretendendo apenas distinguir duas formas e dois graus de conhecimento da realidade, mas especialmente e sobretudo duas qualidades da práxis humana. A atitude primordial e imediata do homem, em face da realidade, não é a de um abstrato sujeito cognoscente, de uma mente pensante que examina a realidade especulativamente, porém a de um ser que age objetiva e praticamente, de um indivíduo histórico que exerce sua atividade prática no trato com a natureza e com os outros homens, tendo em vista a consecução dos próprios fins e interesses, dentro de um determinado conjunto de relações sociais. Portanto, a realidade não se apresenta aos homens, à primeira vista, sob o aspecto de um objeto que cumpre intuir, analisar e compreender teoricamente, cujo pólo oposto e complementar seja justamente o abstrato sujeito cognoscente, que existe fora do mundo e apartado no mundo; apresenta-se como o campo em que se exercita a sua atividade prático-sensível, sobre cujo fundamento surgirá a imediata intuição prática da realidade. No trato prático-utilitário com as coisas – em que a realidade se revela como mundo dos meios, fins, instrumentos, exigências e esforços para satisfazer a estas – o indivíduo “em situação” cria suas próprias representações das coisas e elabora todo um sistema correlativo de noções que capta e fixa o aspecto fenomênico da realidade.
Todavia, a “existência real” e as formas fenomênicas da realidade – que se reproduzem imediatamente na mente daqueles que realizam uma determinada práxis histórica, como conjunto de representações ou categorias do “pensamento comum” (que apenas por “hábito bárbaro” são consideradas conceitos) – são diferentes e muitas vezes absolutamente contraditórias com a lei do fenômeno, com a estrutura da coisa e, portanto, com seu núcleo interno e essencial e o seu conceito correspondente. Os homens usam o dinheiro e com ele fazem as transações mais complicadas, sem ao menos saber, nem ser obrigados a saber, o que é o dinheiro. Por isso, a práxis utilitária imediata e o senso comum a ela correspondente colocam o homem em condições de orientar-se no mundo, de familiarizar-se com as coisas e manejá-las, mas não proporcionam a compreensão das coisas e da realidade. Por este motivo Marx pôde escrever que aqueles que efetivamente determinam as condições sociais se sentem à vontade, qual peixe n’água, no mundo das formas fenomênicas desligadas da sua conexão interna e absolutamente incompreensíveis em tal isolamento. Naquilo que é intimamente contraditório, nada vêem de misterioso; e seu julgamento não se escandaliza nem um pouco diante da inversão do racional e irracional. A práxis de que se trata neste contexto é historicamente determinada e unilateral, é a práxis fragmentária dos indivíduos, baseada na divisão do trabalho, na divisão da sociedade em classes e na hierarquia de posições sociais que sobre ela se ergue. Nesta práxis se forma tanto o determinado ambiente material do indivíduo histórico, quanto a atmosfera espiritual em que a aparência superficial da realidade é fixada como o mundo da pretensa intimidade, da confiança e da familiaridade em que o homem se move “naturalmente” e com que tem de se avir na vida cotidiana.
O complexo dos fenômenos que povoam o ambiente cotidiano e a atmosfera comum da vida humana, que, com a sua regularidade, imediatismo e evidência, penetram na consciência dos indivíduos agentes, assumindo um aspecto independente e natural, constitui o mundo da pseudoconcreticidade. A ele pertencem:
- O mundo dos fenômenos externos, que se desenvolvem à superfície dos processos realmente essenciais;
- O mundo do tráfico e da manipulação, isto é, da práxis fetichizada dos homens (a qual não coincide com a práxis crítica revolucionária da humanidade);
- O mundo das representações comuns, que são projeções dos fenômenos externos na consciência dos homens, produto da práxis fetichizada, formas ideológicas de seu movimento;
- O mundo dos objetos fixados, que dão a impressão de ser condições naturais e não são imediatamente reconhecíveis como resultados da atividade social dos homens.
O mundo da pseudoconcreticidade é um claro-escuro de verdade e engano. O seu elemento próprio é o duplo sentido. O fenômeno indica a essência e, ao mesmo tempo, a esconde. A essência se manifesta no fenômeno, mas só de modo inadequado, parcial, ou apenas sob certos ângulos e aspectos. O fenômeno indica algo que não é ele mesmo e vive apenas graças ao seu contrário. A essência não se dá imediatamente; é mediata ao fenômeno e, portanto, se manifesta em algo diferente daquilo que é. A essência se manifesta no fenômeno. O fato de se manifestar no fenômeno revela seu movimento e demonstra que a essência não é inerte nem passiva. Justamente por isso o fenômeno revela a essência. A manifestação da essência é precisamente a atividade do fenômeno.
O mundo fenomênico tem a sua estrutura, uma ordem própria, uma legalidade própria que pode ser revelada e descrita. Mas a estrutura deste mundo fenomênico ainda não capta a relação entre o mundo fenomênico e a essência. Se a essência não se manifestasse absolutamente no mundo fenomênico, o mundo da realidade se distinguiria radical e essencialmente do mundo do fenômeno: em tal caso, o mundo da realidade seria para o homem o “outro mundo” (platonismo, cristianismo), e o único mundo ao alcance do homem seria o mundo dos fenômenos. O mundo fenomênico, porém, não é algo independente e absoluto: os fenômenos se transformam em mundo fenomênico na relação com a essência. O fenômeno não é radicalmente diferente da essência, e a essência não é uma realidade pertencente a uma ordem diversa da do fenômeno. Se assim fosse efetivamente, o fenômeno não se ligaria à essência através de uma relação íntima, não poderia manifestá-la e ao mesmo tempo escondê-la; a sua relação seria reciprocamente externa e indiferente. Captar o fenômeno de determinada coisa significa indagar e descrever como a coisa em si se manifesta naquele fenômeno, e como ao mesmo tempo nele se esconde.Compreender o fenômeno é atingir a essência. Sem o fenômeno, sem a sua manifestação e revelação, a essência seria inatingível. No mundo da pseudoconcreticidade o aspecto fenomênico da coisa, em que a coisa se manifesta e se esconde, é considerado como a essência mesma, e a diferença entre o fenômeno e a essência desaparece. Por conseguinte, a diferença que separa fenômeno e essência equivale à diferença entre irreal e real, ou entre duas ordens diversas de realidade? A essência é mais real do que o fenômeno? A realidade é a unidade do fenômeno e da essência. Por isso, a essência pode ser tão irreal quanto o fenômeno, e o fenômeno tanto quanto a essência, no caso em que se apresentem isolados e, em tal isolamento, sejam considerados com ao única ou “autêntica” realidade.
O fenômeno não é, portanto, outra coisa senão aquilo que – diferentemente da essência oculta – se manifesta imediatamente, primeiro e com maior freqüência. Mas porque a “coisa em si”, a estrutura da coisa, não se manifesta imediata e diretamente? Porque são necessários um esforço e um desvio para compreendê-la? Porque a “coisa em si” se oculta, foge à percepção imediata?De que gênero de ocultação se trata? Tal ocultação não pode ser absoluta: se quiser pesquisar a estrutura da coisa e quiser perscrutar “a coisa em si”, se apenas quer ter a possibilidade de descobrir a essência oculta ou a estrutura da realidade – o homem, já antes de iniciar qualquer investigação, deve necessariamente possuir uma segura consciência do fato de que existe algo susceptível de ser definido com estrutura da coisa, essência da coisa, “coisa em si”, e de que existe uma oculta verdade da coisa, distinta dos fenômenos que se manifestam imediatamente. O homem faz um desvio, se esforça na descoberta da verdade só porque, de um modo qualquer, presssupõe a existência da verdade, porque possui uma segura consciência da existência da “coisa em si”. Por que, então, a estrutura da coisa não é direta e imediatamente acessível ao homem, por que então, para captá-la ele tem que fazer um desvio? E a que leva tal desvio? O fato de na percepção imediata não se captar “a coisa em si” mas o fenômeno da coisa, dependerá talvez do fato de que a estrutura da coisa pertence a outra ordem de realidade, distinta da dos fenômenos, e que, portanto, constitui outra realidade existente por trás dos fenômenos?
Como a essência – ao contrário dos fenômenos – não se manifesta imediatamente, e desde que o fundamento oculto das coisas deve ser descoberto mediante uma atividade peculiar, tem que existir a ciência e a filosofia. Se a aparência fenomênica e a essência das coisas coincidissem diretamente, a ciência e a filosofia seriam inúteis.[1]
O esforço direto para descobrir a estrutura da coisa e “a coisa em si” constitui desde tempos imemoriais, e constituirá sempre, tarefa precípua da filosofia. As várias tendências filosóficas fundamentais são apenas modificações desta problemática fundamental e de sua solução em cada etapa evolutiva da humanidade. A filosofia é uma atividade humana indispensável, visto que a essência da coisa, a estrutura da realidade, a coisa em si, o ser da coisa, não se manifesta direta e imediatamente. Neste sentido, a filosofia pode ser caracterizada como um esforço sistemático e crítico que visa a captar a coisa em si, a estrutura oculta da coisa, a descobrir o modo de ser do existente.
O conceito da coisa é a compreensão da coisa, e compreender a coisa significa conhecer-lhe a estrutura. A característica precípua do conhecimento consiste na decomposição do todo. A dialética não atinge o pensamento de fora para dentro, nem de imediato, nem tampouco constitui uma de suas qualidades; o conhecimento é que é a própria dialética em uma das suas formas; o conhecimento é a decomposição do todo. O “conceito” e a “abstração”, em uma concepção dialética, têm o significado de método que decompõe o todo para poder reproduzir espiritualmente a estrutura da coisa, e, portanto, compreender a coisa.[2]
O conhecimento se realiza como separação entre fenômeno e essência, do que é secundário e do que é essencial, já que só através dessa separação se pode mostrar a sua coerência interna, e com isso, o caráter específico da coisa. Neste processo, o secundário não é deixado de lado como irreal ou menos real, mas revela seu caráter fenomênico ou secundário mediante a demonstração de sua verdade na essência da coisa. Esta decomposição do todo, que é elemento constitutivo do conhecimento filosófico – com efeito, sem decomposição não há conhecimento – demonstra uma estrutura análoga à do agir humano: também a ação se baseia na decomposição do todo.
O próprio fato de que o pensamento se move naturalmente numa direção oposta à natureza da realidade, que isola e “mata”, e de que neste movimento natural se assenta a tendência à abstração, não constitui uma particularidade imanente do pensamento mas emana de sua função prática. Todo agir é “unilateral”,[3] já que visa a um fim determinado e, portanto, isola alguns momentos da realidade como essenciais àquela ação, desprezando outros, temporariamente. Através deste agir espontâneo, que evidencia determinados momentos importantes para a execução de determinado objetivo, o pensamento cinde a realidade única, penetra nela e a “avalia”.
O impulso espontâneo da práxis e do pensamento para isolar fenômenos, para cindir a realidade no que é essencial e no que é secundário, vem sempre acompanhado de uma igualmente espontânea percepção do todo, na qual e da qual são isolados alguns aspectos, embora para a consciência ingênua esta percepção seja muito menos evidente e muitas vezes mais imatura. O “horizonte” – obscuramente intuído – de uma “realidade indeterminada” como todo constitui o pano de fundo inevitável de cada ação e cada pensamento, embora ele seja inconsciente para a consciência ingênua.
Os fenômenos e as formas fenomênicas das coisas se reproduzem espontaneamente no pensamento comum como realidade ( a realidade mesma) não porque sejam os mais superficiais e mais próximos do conhecimento sensorial, mas porque o aspecto fenomênico da coisa é produto natural da práxis cotidiana. A práxis cotidiana cria “o pensamento comum” – em que são captados tanto a familiaridade com as coisas e o aspecto superficial das coisas quanto a técnica de tratamento das coisas – como forma de seu movimento e de sua existência. O pensamento comum é a forma ideológica do agir humano de todos os dias. Todavia, o mundo que se manifesta ao homem na práxis fetichizada, no tráfico e na manipulação, não é o mundo real, embora tenha a “consistência” e a “validez” do mundo real: é “o mundo da aparência” (Marx). A representação da coisa não constitui uma qualidade natural da coisa e da realidade: é a projeção, na consciência do sujeito, de determinadas condições históricas petrificadas.
A distinção entre representação e conceito, entre o mundo da aparência e o mundo da realidade, entre a práxis utilitária cotidiana dos homens e a práxis revolucionária da humanidade ou, numa palavra, a “cisão do único”, é o modo pelo qual o pensamento capta a “coisa em si”. A dialética é o pensamento crítico que se propõe a compreender a “coisa em si” e sistematicamente se pergunta como é possível chegar à compreensão da realidade. Por isto, é o oposto da sistematização doutrinária ou da romantização das representações comuns. O pensamento que quer conhecer adequadamente a realidade, que não se contenta com os esquemas abstratos da própria realidade, nem com suas simples e também abstratas representações, tem que destruir a aparente independência do mundo dos contatos imediatos de cada dia. O pensamento que destrói a pseudoconcreticidade para atingir a concreticidade é ao mesmo tempo um processo no curso do qual sob o mundo da aparência se desvenda o mundo real;por trás da aparência externa do fenômeno se desvenda a lei do fenômeno; por trás do movimento visível, o movimento real interno; por trás do fenômeno, a essência. [4] O que confere a estes fenômenos o caráter de pseudoconcreticidade não é a sua existência por si mesma, mas a independência com que ela se manifesta. A destruição da pseudoconcreticidade – que o pensamento dialético tem que efetuar – não nega a existência ou a objetividade daqueles fenômenos mas destrói a sua pretensa independência, demonstrando seu caráter mediato e apresentando, contra sua pretensa independência, prova do seu caráter derivado.
A dialética não considera os produtos fixados, as configurações e os objetos, todo o conjunto do mundo material reificado, como algo originário e independente. Do mesmo modo como assim não considera o mundo das representações e do pensamento comum, não os aceita sob seu aspecto imediato: submete-os a um exame em que as formas reificadas do mundo objetivo e ideal se diluem, perdem sua fixidez, naturalidade e pretensa originalidade para se mostrarem como fenômenos derivados e mediatos, como sedimentos e produtos da práxis social da humanidade.[5]
O pensamento acriticamente reflexivo[6] coloca imediatamente – e portanto sem uma análise dialética – em relação causal as representações fixadas e as condições igualmente fixadas, fazendo passar tal forma de “pensamento bárbaro” por uma análise “materialista” das idéias. Como os homens tomaram consciência de seu tempo (e, portanto, já o viveram, avaliaram, criticaram e compreenderam) nas categorias da “fé do carvoeiro” e do “ceticismo pequeno-burguês”, o doutrinador supõe que se fizera a análise “científica” daquelas idéias ao procurar para elas um equivalente econômico, social ou de classe. Ao invés, mediante tal “materialização” efetua-se apenas uma dupla mistificação: a subversão do mundo da aparência (das idéias fixadas) tem suas raízes na materialidade subvertida (reificada). A teoria materialista deve iniciar a análise com a questão: porque os homens tomaram consciência de seu tempo justamente nestas categorias e qual o tempo que se mostra aos homens nestas categorias? Fazendo esta indagação, o materialista prepara o terreno para proceder à destruição da pseudoconcreticidade tanto das idéias quanto das condições, e só depois disso pode procurar uma explicação racional para a íntima conexão entre o tempo e a idéia.
Entretanto, a destruição da pseudoconcreticidade como método dialético-crítico, graças à qual o pensamento dissolve as criações fetichizadas do mundo reificado e ideal, para alcançar a sua realidade, é apenas o outro lado da dialética, como método revolucionário de transformação da realidade. Para que o mundo possa ser explicado “criticamente”, cumpre que a explicação mesma se coloque no terreno da “práxis” revolucionária. Veremos mais adiante que a realidade pode ser mudada de modo revolucionário só porque e só na medida em que nós produzimos a realidade, e na medida em que saibamos que a realidade é produzida por nós. A diferença entre a realidade natural e a realidade humano-social está em que o homem pode mudar e transformar a natureza; enquanto pode mudar de modo revolucionário a realidade humano-social porque ele próprio é o produtor desta última realidade.
O mundo real, oculto pela pseudoconcreticidade, apesar de nela se manifestar, não é o mundo das condições reais em oposição às condições irreais, tampouco o mundo da transcendência em oposição à ilusão subjetiva; é o mundo da práxis humana. É a compreensão da realidade humano-social como unidade de produção e produto, de sujeito e objeto, de gênese e estrutura. O mundo real não é, portanto, um mundo de objetos “reais” fixados, que sob o seu aspecto fetichizado levem uma existência transcendente como uma variante naturalisticamente entendida das idéias platônicas; ao invés, é um mundo em que as coisas, as relações e os significados são considerados como produtos do homem social, e o próprio homem se revela como sujeito real do mundo social. O mundo da realidade não é uma variante secularizada do paraíso, de um estado já realizado e fora do tempo; é um processo no curso do qual a humanidade e o indivíduo realizam a própria verdade, operam a humanização do homem. Ao contrário do mundo da pseudoconcreticidade, o mundo da realidade é o mundo da realização da verdade, é o mundo em que a verdade não é dada e predestinada, não está pronta e acabada, impressa de forma imutável na consciência humana: é o mundo em que a verdade devém. Por esta razão a história humana pode ser o processo da verdade e a história da verdade. A destruição da pseudoconcreticidade significa que a verdade não é nem inatingível, nem alcançável de uma vez para sempre, mas que ela se faz; logo, se desenvolve e se realiza.
Portanto, a destruição da pseudoconcreticidade se efetua como: 1) crítica revolucionária da práxis da humanidade, que coincide com o devenir humano do homem, com o processo de “humanização do homem” (A. Kolman), do qual as revoluções sociais constituem as etapas-chave; 2) pensamento dialético, que dissolve o mundo fetichizado da aparência para atingir a realidade e a “coisa em si”; 3) realizações da verdade e a criação da realidade humana em um processo ontogenético, visto que para cada indivíduo humano o mundo da verdade é, ao mesmo tempo, uma sua criação própria, espiritual, como indivíduo social-histórico. Cada indivíduo – pessoalmente e sem que ninguém possa substituí-lo – tem que se formar uma cultura e viver a sua vida.
Não podemos, por conseguinte, considerar a destruição da pseudoconcreticidade como o rompimento de um biombo e o descobrimento de uma realidade que por trás dele se escondia, pronta e acabada, existindo independentemente da atividade do homem. A pseudoconcreticidade é justamente a existência autônoma dos produtos do homem e a redução do homem ao nível da práxis utilitária. A destruição da pseudoconcreticidade é o processo de criação da realidade concreta e a visão da realidade, da sua concreticidade. As correntes idealísticas absolutizaram ora o sujeito, tratando do problema de como encarar a realidade a fim de que ela fosse concreta ou bela, ora o objeto, e supuseram que a realidade é tanto mais real quanto mais perfeitamente dela se expulsa o sujeito. Ao contrário delas, na destruição materialista da pseudoconcreticidade, a liberalização do “sujeito” (vale dizer, a visão concreta da realidade, ao invés da “intuição fetichista”) coincide com a liberalização do “objeto” (criação do ambiente humano como fato humano dotado de condições de transparente racionalidade), posto que a realidade social dos homens se cria como união dialética de sujeito e objeto.
A palavra de ordem ad fontes, que ressoa periodicamente como reação contra a pseudoconcreticidade nas suas mais variadas manifestações, assim como a regra metodológica da análise positivista – “libertar-se dos preconceitos” – encontram o seu fundamento e a sua justificação na destruição materialista da pseudoconcreticidade. Todavia, o próprio retorno “às fontes” apresenta dois aspectos completamente distintos. Sob o primeiro aspecto ele se apresenta como uma douta e humanisticamente erudita crítica das fontes, como um exame dos arquivos e das fontes antigas, das quais cumpre deduzir a realidade autêntica. Sob o aspecto mais profundo e mais significativo, que aos olhos da douta erudição se afigura barbárie (como o testemunhas as reações contra Shakespeare e Rousseau) a palavra de ordem ad fontes significa crítica da civilização e da cultura; significa tentativa – romântica ou revolucionária – de descobrir por trás dos produtos e das criações a atividade e operosidade produtiva, de encontrar “a autêntica realidade” do homem concreto por trás da realidade reificada da cultura dominante, de desvendar o autêntico objeto histórico sob as estratificações das convenções fixadas.

[1] “...Se os homens apreendessem imediatamente as conexões, para que serviria a ciência? (Marx a Engels, carta de 27-6-1867). “Toda ciência seria supérflua se a forma fenomênica e essência coincidissem diretamente.” Marx, O Capital, III, séc.VII, cap. XLVIII, III. (Tr.ital. Roma, Rinascita, 1959, III, a, Pág.228). “Para as formas fenomênicas... a diferença da relação essencial ... vale exatamente aquilo que vale para todas as formas fenomênicas e para o fundamento oculto por detrás delas. As formas fenomênicas se reproduzem imediatamente por si mesmas, como formas correntes do pensamento, mas o seu fundamento oculto tem de ser descoberto somente pela ciência.” Marx, O Capital, I, seç. VI, cap. XVII. (Tr. Ital. I, 2, pág. 259).
[2] Alguns filósofos (por ex. Granger, L’ancienne et la nouvelle économie, “Esprit”, 1956, pág. 5515) atribuem apenas a Hegel o “método da abstração” e “do conceito”. Na realidade, este é o único caminho da filosofia para chegar à estrutura da coisa e, portanto, à compreensão da coisa.
[3] No plano desta “unilateralidade” prática, Marx, Hegel e Goethe se colocam contra a universalidade fictícia dos românticos.
[4] O Capital, de Marx, é construído metodologicamente sobre a distinção entre falsa consciência e compreensão real da coisa, de modo que as categorias principais da compreensão da realidade investigada se apresentam aos pares: fenômeno – essência; mundo da aparência – mundo real; aparência externa dos fenômenos – lei dos fenômenos; existência positiva – núcleo interno, essencial, oculto; movimento visível – movimento real interno; representação – conceito; falsa consciência – consciência real; sistematização doutrinária das representações (“ideologia”) – teoria e ciência.
[5] “O marxismo é um esforço para ler, por trás da pseudo-imediaticidade do mundo econômico reificado, as relações inter-humanas que o edificaram e se dissimularam por trás de sua obra.” A. de Walhens, L’idée phénomenologique d’intentionalité, in Husserl et la pensée moderne, Haia, 1959, págs. 127-28. Esta definição de um autor não-marxista constitui um testemunho sintomático da problemática filosófica do século XX, para a qual a destruição da pseudoconcreticidade e das mais variadas formas de alienação se transformou em uma das questões essenciais. Os filósofos se distinguem, entre si, pelo modo como a resolvem, mas a problemática comum já é dada, tanto para o positivismo (a luta de Carnap e Neurath contra a metafísica real ou suposta), como também para a fenomenologia e o existencialismo.É sintomático que o sentido autêntico do método fenomenológico husserliano e toda a conexão do seu núcleo racional com a problemática do século XX só tenham sido descobertos por um filósofo de orientação marxista, cuja obra constitui a primeira tentativa séria de um confronto entre a fenomenologia e a filosofia materialista. O autor define expressivamente o caráter paradoxal e rico em contrastes da destruição fenomenológica da pseudoconcreticidade: “O mundo da aparência havia abarcado, na linguagem ordinária, todo o sentido da noção de realidade... Desde que as aparências aí se impuseram a título de mundo real, sua eliminação se apresentava como uma colocação entre parênteses deste mundo ... e a realidade autêntica à que se retornava tomava paradoxalmente a forma de irrealidade de uma consciência pura.” Tran-Duc-Thao. Phenomenologique et materialisme dialectique, Paris, 1951, págs. 223-24.
[6] Hegel assim define o pensamento reflexivo: “A reflexão é a atividade que consiste em constatar as oposições e em passar de uma para a outra, mas sem ressaltar a sua conexão e a unidade que as compenetra.” Hegel, Phil. der Religion, I, pág. 126 (Werke, Vol. XI). Ver também Marx, Grundrisse, pág. 10.

MENSAGEM: VIVER É UM ESPETACULO IMPERDIVEL...

"Viver é um espetáculo imperdível”


Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não se esqueça de que sua vida é a maior RIQUEZA do mundo.


Lembre-se sempre de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades,
caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem
decepções.

Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança
no palco do medo, amor nos desencontros.

Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a
tristeza.

Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.

Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem
sabe viajar para dentro do seu próprio ser.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas se tornar um autor da
própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.

É agradecer a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. É beijar
os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo
que eles nos magoem.

Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora
dentro de cada um de nós.

É ter maturidade para falar "eu errei".

É ter ousadia para dizer "me perdoe".

É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você".

É ter capacidade de dizer "eu te amo".

Faça da sua vida um canteiro de oportunidades.

Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.

Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria.

E, quando você errar o caminho, comece tudo de novo.

Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida e descobrirá que
ser feliz não é ter uma vida perfeita, mas é usar as lágrimas para
irrigar a tolerância, usar as perdas para refinar a paciência, usar as
falhas para esculpir a serenidade, usar a dor para lapidar o prazer,
usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Jamais desista de si mesmo.
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível...

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim" - Chico Xavier

FORDISMO

Fordismo

A atual dinâmica do capitalismo contemporâneo vem trazendo grandes mudanças para as cidades e para as economias nacionais. A globalização econômica trouxe uma nova realidade para os países: o conceito de Estado-Nação vem perdendo força. Ou seja, o intercâmbio econômico e social são a tônica desse final de centúria.
Os mercados financeiros, a informação e as transnacionais, entre outros fatores, cumprem um papel preponderante na globalização: o mundo é considerado uno. As novas tecnologias também afetam as esferas econômicas e sociais; o desemprego, a desindustrialização e a reorganização industrial, chamam a atenção dos estudiosos.
Com esse quadro, as ciências sociais alimentam o debate no processo de obtenção de respostas para as indagações que surgem no espectro da pesquisa urbana. Qual o processo em curso? É possível revertê-lo? Para onde vamos? Essas são apenas algumas das dezenas indagações que surgem.
No campo teórico, várias linhas de análise vêm ganhando destaque. A primeira coloca o" processo de acumulação do capital no centro das análises de urbanização"[1][1]. Outro pólo teórico, não concorda totalmente que o aspecto econômico possa explicar a atual dinâmica dos processos sociais. Seguindo-se a essa discussão, um segundo grupo afirma que não se pode privilegiar nem o aspecto econômico nem os aspectos dos movimentos sociais e políticos somente. A questão fundamental desse grupo. A questão fundamental desse grupo, são as análises microssociológicas ou etnográficos[2][2].
Finalmente chegamos ao campo teórico que norteará o nosso trabalho: a Escola da Regulação Francesa. Em torno de todo esse debate sobre os atuais dilemas do capitalismo e sua compreensão, a teoria da regulação tomou forma através de Aglietta, Boyer e Mistral, Coriat e Lipietz. O aspecto fundamental desse campo teórico é a recusa a uma visão quantitativa-contábil da acumulação capitalista[3][3].
Dois conceitos são fundamentais para a compreensão da teoria da regulação: regime de acumulação e modo de regulação. O regime de acumulação seria,
"(...) um determinado modo de transformação e compatível de normas de produção de distribuição e de uso. Esse regime assenta-se sobre princípios gerais de organização do trabalho e de uso das técnicas que constituem um paradigma tecnológico"[4][4].
O modo de regulação compreenderia uma superestrutura, onde se daria a consolidação dos mecanismo sociais e jurídicos, para o funcionamento do regime de acumulação. Ou melhor,
'(...) o conjunto de normas (incorporadas ou explícitas), instituições, mecanismos de compensação, dispositivos de informação que ajustam , permanentemente, as antecipações e os comportamentos individuais à lógica de conjunto do regime de acumulação"[5][5].
No campo político, a coesão seria mantida através de compromissos aceitos pelos diferentes grupos sociais antagônicos, ou seja, o chamado Bloco Social.
O atual momento seria compreendido por uma crise que dita as atuais transformações do capitalismo. A crise seria do regime fordista de acumulação (do seu modelo de organização do trabalho, o taylorismo) e do seu modo de regulação (o Welfare State).
Apesar das críticas à teoria da regulação[6][6], acreditamos ser esse o melhor espectro teórico de análise na busca da compreensão da reestruturação urbana e industrial atual.

O FORDISMO

O regime de acumulação fordista teve a sua origem nos EUA e no pós-guerra irradiou-se para o mundo. O fordismo aliou os princípios tayloristas (divisão do trabalho manual e intelectual) - pesquisa e desenvolvimento, engenharia e organização racional do trabalho/execução desqualificada - ao seu pressuposto do know-how coletivo. Harvey ressalta dá seguinte maneira o regime de acumulação fordista:
"O que havia de especial em Ford (e que, em última análise, distingue o fordismo do taylorismo) era a sua visão, seu reconhecimento explícito de que a produção de massa significava consumo de massa, um novo sistema de reprodução do trabalho, uma nova política de controle e gerência do trabalho, uma nova estética e uma nova psicologia, em suma, um novo tipo de sociedade democrática, racionalizada, modernista e populista"[7][7].
Harvey[8][8] situa hipoteticamente o início do fordismo na fábrica de Henry Ford em Michigan. O ano seria 1914, quando Ford estabelece o dia de trabalho em 8 horas e a recompensa de cinco dólares para os trabalhadores de sua linha de montagem automática. O fordismo consolida-se. na realidade o que Ford propunha era uma sociedade baseada no consumo de massa e para isso, deveriam haver condições para tal.
A linha de montagem automática facilitaria o aumento da produtividade, do lazer e conseqüentemente o consumo. Ford acreditava em um poder corporativo poderia regulamentar a economia como um todo. com essas características amplas o fordismo proporcionou uma rápida elevação do investimento e do consumo per capita[9][9].
Na realidade, o modo de produção capitalista tem como característica fundamental a incoerência de suas relações. As crises cíclicas são inerentes ao sistema. A superprodução e conseqüentemente o problema da demanda efetiva, são problemas importantes para a manutenção do sistema. Entretanto, o que Ford previra antes da Depressão só foi visualizado, com clareza, após ela.
No período entre-guerras, o fordismo, encontrou vários obstáculos para a sua propagação. O primeiro obstáculo, segundo Harvey[10][10]foi:
"(...) o estado de relações e classe no mundo capitalista, dificilmente era propício à fácil aceitação de um sistema de um sistema de produção que se apoiava tanto na familiarização do trabalho puramente rotinizado, exigindo pouco das habilidades manuais tradicionais e concedendo um controle quase inexistente ao trabalhador sobre o projeto, o ritmo e a organização do processo produtivo".
O segundo obstáculo...
"(...) [eram] os modos e mecanismos de intervenção estatal. Foi necessário conceber um novo modo de regulamentação para atender aos requisitos de produção fordista; e foi preciso o choque da depressão selvagem e do quase-colapso do capitalismo na década de 30 para que as sociedades capitalistas chegassem a alguma nova concepção da forma e do uso dos poderes do estado".
Somente no pós-guerra esses problemas foram sanados. A principal questão a ser encarada era a conexão de controles estatais que desse uma estabilização ao sistema capitalista e superasse a falta de demanda efetiva. Assim, aliou-se a regulação estatal e a administração científica.
O fordismo incorporou a regulação econômica keynesiana que constituiu uma estabilidade considerável do regime de acumulação, onde:
"(...) O Estado teve que assumir novos (keynesianos) papéis e construir novos poderes institucionais; o capital corporativo teve de ajustar as velas em certos aspectos para seguir com mais suavidade a trilha da lucratividade segura; e o trabalho organizado teve de assumir novos papéis e funções relativas ao desempenho nos mercados de trabalho e nos processos de produção. O equilíbrio de poder tenso mais mesmo assim firme, que prevalecia entre o trabalho organizado, o grande capital corporativo e a nação-Estado, e que formou a base do poder da expansão do pós-guerra."[11][11]
O fordismo enquanto modo de regulação, tem as seguintes características[12][12]:
· · estabilidade nas relações de trabalho: convenções coletivas, o Welfare State, a legislação;
· · relações entre bancos e firmas amenas: subcontratações de empresas para tarefas especializadas:
· · controle da moeda pelo Banco central e
· · participação importante do Estado na regulação econômica.
Como regime de acumulação, o fordismo privilegiou fundamentalmente a escala nacional. Toda a sua produção é voltada para o mercado interno, já que a padronização dos produtos e as técnicas repetitivas da linha de montagem, barateia os custos da empreitada.
Numa perspectiva global, o fordismo consolidou nos países desenvolvidos de maneira desigual. Alemanha ocidental, França, Inglaterra e Itália, traçaram caminhos diferenciados no tocante às relações de trabalho, ao investimento público, às políticas monetárias e fiscais, etc. Apesar dessa variedade de caminhos, os EUA mantiveram o domínio político e, conseqüentemente econômico, sobre a economia mundial. Em Bretton Woods (1944), o dólar passou a ser moeda-reserva mundial, configurando a supremacia norte-americana.
A globalização do fordismo nos países desenvolvidos da Europa, foi facilitado pela ajuda norte-americana no período anterior à Segunda Guerra. Os EUA deslocaram os seus excedentes produtivos para o Velho Mundo, incorporando-o ao regime de acumulação fordista.
Em termos de relações de trabalho, nos deteremos aos EUA. Sob o fordismo, estas relações sempre estiveram ligadas a um paradoxo: o grande contingente de trabalhadores nas fábricas, trazia o perigo de um aumento do poder da classe. Para eliminar tal possibilidade, a burguesia direcionou uma política de ataques ao movimento sindical sob o argumento de “aparelhamento comunista” dos sindicatos.
Em 1933, os sindicatos haviam adquirido o poder de negociação coletiva, com a Lei Wagner. Agora no pós-guerra, esta lei dificultava os objetivos da burguesia. No auge da histeria macarthista, os sindicatos sucumbiram ao controle da Lei Taft-Hartley[13][13].
Entretanto, os sindicatos mantiveram um relativo poder nas indústrias de produção de massa, seja no Nordeste ou no Meio-Oeste. Deve-se assinalar que tal poder, resumia-se às questões meramente sociais e não políticas.

A CRISE DO FORDISMO

A crise do sistema fordista de produção teve início no final dos anos 60. A produtividade, capitaneada pelo taylorismo, perdeu o seu fôlego. O poder aquisitivo dos trabalhadores crescia num ritmo maior e, conseqüentemente, as taxas de lucros caíam. Paralelamente a isso, tanto o Japão como a Europa Ocidental, já haviam se recuperado, economicamente e a sua produção industrial gerava excedentes, favorecendo as exportações.
A competição internacional acirrava-se, com a inclusão da América Latina e dos países do sudeste asiático, ocasionando a queda do dólar, moeda-reserva mundial e, conseqüentemente, aumentando o problema fiscal norte americano. A solução encontrada ( como sempre ) foi a dispensa de trabalhadores. Entretanto, a rigidez do contrato de trabalho sobrecarregou a arrecadação do Welfare State. A crise do petróleo colaborou ainda mais para o declínio do fordismo. A extração da renda do petróleo acelerou esta primeira conseqüência: crise da organização do trabalho - crise de investimento - crise do Welfare state[14][14].
O fordismo e a regulação econômica keynesiana, no período de 8 anos (65 a 73), não conseguiu solucionar esses problemas. A problemática intrínseca ao capitalismo perdurou. Aliás, o problema estava,
"(...) [na] rigidez dos investimentos de capital fixo de longa escala em sistemas de produção em massa que impediam muita flexibilidade de planejamento e presumiam crescimento estável em mercados de consumo invariantes.
(...) A rigidez dos compromissos do estado foi se intensificando à medida que programas de assistência ( seguridade social, direitos de pensão, etc. ) aumentavam a pressão para manter a legitimidade num momento em que a rigidez na produção restringia expansões da base fiscal para gastos públicos. O único instrumento de resposta flexível estava na política monetária, na capacidade de imprimir moeda em qualquer montante que parecesse necessário para manter a economia estável"[15][15]
Harvey vai mais longe e afirma que:
"A profunda recessão de 1973, exacerbada pelo choque do petróleo, evidentemente retirou o mundo capitalista do sufocante torpor da estagflação (estagnação da produção de bens e alta de inflação de preços) e pôs em movimento um conjunto de processos que solaparam o compromisso fordista. Em conseqüência, as décadas de 70 e 80 foram um conturbado período de reestruturação econômica e de reajustamento social e político. no espaço social criado por todas essas oscilações e incertezas, uma série de novas experiências nos domínios da organização industrial e da vida social e política começou a tomar forma. essas experiências podem representar os primeiros ímpetos da paisagem para um regime de acumulação inteiramente novo, associado com um sistema de regulamentação política e social bem distinta".
Com essas contradições, inicia-se a transição do fordismo para o pós-fordismo ou a acumulação flexível.

O PÓS-FORDISMO


O processo de crise do sistema fordista de produção, desencadeou uma série de experiências que visavam dar um “novo ânimo” ao sistema capitalista. O que marca o pós-fordismo ou a acumulação flexível é a contraposição ao paradigma fordista; ou seja, a rigidez estabelecida neste regime de acumulação e que levou à sua própria deteriorização pela “flexibilidade”.
O processo de produção foi flexibilizado, desarticulando tudo o que existia até então. Na realidade, o que se observou, foi uma revolução tecnológica cuja principal meta era reverter o quadro da crise fordista: a queda da produtividade e da lucratividade. Tavares16 elucida que:
"Contrariamente à rigidez que caracterizava o taylorismo-fordismo, as novas tecnologias buscam obter o máximo de flexibilidade no que respeita a processos de produção, desenhos e produtos, bem como a ocupação da força de trabalho".
Não obstante, Harvey17 coloca que:
"A acumulação flexível (...) é marcada por um confronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se apóia na flexibilidade dos processos de trabalho, novos mercados de trabalho, dos produtos e padrões. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificadas de inovação comercial, tecnológica e organizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões de desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego do chamado “setor de serviços”, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas ( tais como, a Terceira Itália, Flandes, vários vales e gargantas de silício, para não falar da vasta profusão de atividades dos países recém-industrializados )".
Leborgne e Lipietz18 apontam, entretanto, alguns problemas para o uso dessas inovações tecnológicas. As panes nos sistemas, as máquinas obsoletas e os custos com a manutenção, são problemas que devem ser levados em consideração. Mas mesmo assim, salientam que:
A principal característica da revolução tecnológica atual é a invasão do microprocessador e das interfaces eletrônica não apenas em novos produtos, mas também no próprio processo de trabalho: a microeletrônica redefine o próprio significado da automação.
No bojo dessa nova dinâmica capitalista, a acumulação flexível foi tomando corpo, provocado uma grande rearticulação em todos os níveis sociais e econômicos. As relações de trabalho e a estrutura industrial, acompanharam o novo ritmo.
A flexibilidade caracteriza-se na organização do trabalho, na tecnologia e nas novas estruturas institucionais surgidas. A subempreitada acentuou-se, juntamente na sociedade entre produtos complementares. Conseqüentemente, os padrões de consumos foram fragmentados e privatizados; a desintegração vertical tomou impulso e os pequenos e médios produtores especializaram-se.
As novas bases da dinâmica concorrencial capitalista sofreram mudanças, ou seja, o eixo dessa concorrência migrou do preço para os novos modelos de produtos adaptados ao mercado. os mercados tornaram-se imprevisíveis e volúveis, ocasionado uma produção diferenciada e adequada à nova realidade. A produção procurou ocupar esses nichos lucrativos19.
A acumulação flexível visa conviver com a atual saturação decorrente da economia baseada em práticas fordistas e a seletividade; daí a variedade de tipos e tamanhos ofertados20. Dessa maneira, ocorre um aumento de importância das pequenas e médias empresas, favorecendo ao intercâmbio, as subcontratações e outras relações de interdependência.

FLEXIBILIDADE E TRABALHO

Com a redução das margens de lucro, o patronato procurou “flexibilizar” as relações de trabalho, visando recompor o optimum de lucratividade. Como já salientamos, a rigidez fordista colaborou para o declínio desse modelo de acumulação e a saída encontrada, entre outras, foi atacar o contrato de trabalho.
A relação rígida sofreu uma grande alteração, onde o modo de regulação (o Welfare State), foi desmantelado gradativamente. A outrora estabilidade do contrato de trabalho foi solapada, aproveitando-se do enfraquecimento do poder sindical e da mão-de-obra excedente em virtude da crise21.
O antigo trabalho do tipo regular foi ocupado por trabalhos temporários, parciais e até subcontratados. Se no fordismo o operário não participava do processo de fabricação, no pós-fordismo ocorrerá o contrário: reagrupa-se o que taylorismo havia dicotomizado, ou seja, os aspectos manuais e intelectuais do trabalho22 .
Havia que:
"O know-how adquirido por meio do aprendizado direto na manutenção e no dia-a-dia do processo de produtividade deve poder ser formalizado e assimilado pelo pessoal de Organização & Métodos e de Engenharia"23.
Dessa maneira, Leborgne e Lipietz24 localizam três tipos de relações profissionais que vão caracterizar a flexibilização do contrato de trabalho: polarização contínua, negociação individual do engajamento e negociação coletiva do engajamento. O principal ponto a ser realçado é a troca de interesses ou vantagens, quer no âmbito particular como no coletivo. Os dois salientam ainda que nenhum desses três tipos são hegemônicos.
No quadro da flexibilidade, essas relações possuirão denominações específicas, sendo a primeira a via Neotaylorista. Nela, aprofundam-se os princípios tayloristas e a automação, com a diminuição das regalias fordistas para os trabalhadores. EUA, Grã-Bretanha e França são adeptos desta via.
Na segunda via, estão o Japão, Alemanha e Itália (Norte), com a Kalkariana25. Evolução tecnológica e seguridade fordista (segurança de emprego, salários altos, etc.), compõem a via Kalkariana.
Finalmente chegamos à via Californiana, onde o engajamento individual é incentivado é incentivado, através da diferenciação salarial, além da possibilidade de “perda” de emprego. notamos nessa via o que Leborgne e Lipietz chamam de remercantilização da relação salarial.

REESTRUTURAÇÃO DO ESPAÇO INDUSTRIAL

O surgimento de novos distritos industriais e a reestruturação do espaço industrial, possuem a sua origem no regime de acumulação pós-fordista. Tanto a Europa Ocidental, como os EUA vêm passando por esse processo de reaglomeração da atividade econômica. O sistema pós-fordista de produção acentua-se em várias formas de flexibilidade, tanto em termos tecnológicos como na organização da produção. Os pequenos e médios produtores são especializados, ocasionando a subcontratação e a dependência. Tais processos corroboram a desintegração vertical.
A desintegração vertical reflete-se na descentralização das etapas de produção que passam a ser executadas fora da empresa, ou seja, empresas menores são contratadas. As principais razões para o fenômeno são as incertezas inerentes do mercado, que causam problemas na estrutura vertical da empresa e a possibilidade de maiores lucros com as economias externas, além da diminuição constante dos custos de produção. Assim, Boddy mostra que,
"A concentração espacial, a aglomeração, é estimulada principalmente pelos custos transnacionais espacialmente dependentes"26.
Onde,
"(...) a dinâmica da organização industrial (...), provoca o surgimento de uma tendência de aglomeração dos produtos em vários locais de paisagem da sociedade capitalista. Essas aglomerações se formaram a partir de redes compactas de inter-relações transnacionais que vão constituindo, à medida que se aprofunda a divisão do trabalho e à medida que grupos específicos de produtores são obrigados a interagir entre eles de maneira intensa e multiforme"27.
Não obstante,
"Essas transações incluem tanto fluxos de bens como de informações. A escala desses fluxos se amplia com as relações de subcontratação, cooperação e interdependência. Amplia-se também pela necessidade que o complexo de produção flexível tem de integrar a concepção e a execução-desenvolvimento do produto, produção, marketing e apoio ao consumidor. A dependência dessas articulações leva à aglomeração"28.
As mudanças tecnológicas também são responsáveis pela reorganização do espaço industrial. O principal modelo é o Just In Time, onde através da informática é possível,
Trabalhar com estoques mínimos, devido ao fluxo permanente de entrega de componentes e matéria-primas, rápidos ajustes sobre alterações de pedidos29.
Além do Just In Time, a inovação tecnológica abrange o Celular Quality Control (CRQ). Na pesquisa e no desenho, na comercialização e na administração, aparecem a tecnologia do Computer Aided Design (CAM) e Computer Integrated Global Manufacturing Systems (CIGMS).
A localização de novos centros industriais ocorrem também em função do mercado de trabalho, tanto no tocante à fartura de mão-de-obra como na debilidade da organização sindical. Ou seja, as periferias nacionais com as características acima, são procuradas com maior assiduidade.

COMPLEXOS DE ALTA TECNOLOGIA: OS TECNOPÓLOS

Com o advento das novas tecnologias, o espaço industrial vem sofrendo grande mudanças. A principal delas refere-se à criação de áreas de alto nível tecnológico no campo da microeletrônica, principalmente. Lima30 nos mostra que,
"As primeiras experiências no mundo nasceram fora do planejamento específico do Estado ou de corporações, respondendo a necessidades militares dos Estados Unidos, centros de pesquisa na Califórnia, respaldados por elevadas verbas do departamento de Estado, oferecendo condições para a implementação de empresas de alta tecnologia na área da microeletrônica". (...)
A formação de complexos de alta tecnologia, os tecnopólos, fazem parte de uma tendência mundial no bojo da acumulação flexível. Cada vez mais, abandonam-se as práticas de produção fordista. Outro ponto que deve ser destacado é a associação entre universidades e centros de pesquisa, sob o comando de empresários e pesquisadores.
O capital realoca onde haja maiores possibilidades de lucro seguro. As condições "(...) demonstram que os tecnopólos têm esse ingrediente exigido pelo capital, tornando-os lugares atrativos internacionalmente".31
O tecnopólo é um "sítio de acolhimento de complexos industriais que se fundam na associação de conhecimento científico e tecnológico"32. Entretanto, os tecnopólos não são vistos somente por esse prisma. Podem, também, possuir “outras funções”, como por exemplo, promover a reindustrialização de áreas decadentes (Turim e Boston); ou ainda, descentralizar os altos adensamentos demográficos (Tsukuda, no Japão), entre outras funções33. Para ilustrar melhor a formação dos tecnopólos, nos deteremos nos exemplos norte-americano e francês.
O Silicon Valley foi originado da Universidade de Stanford, no processo de incrementação da microeletrônica. Criou-se o Stanford Industrial Park, com toda a infra-estrutura: bibliotecas, livrarias, hospitais, etc. Tavares34 coloca que grandes investimentos foram destinados progressivamente: 500 mil dólares em 1955; 2 milhões, em 1965; 7 milhões, em 1976 e 24 milhões em 1981. A Hewlett Packard, a Varian e a Lokeed, foram as empresas pioneiras na instalação dos tecnopólos. Em 1980, eram 90 empresas.
Geograficamente, o Silicon Valley situa-se ao sul San Francisco, entre Palo Alto e San Jose. Possui uma área de 15 km de largura por 50 km de comprimento. Entretanto, as principais indústrias de alta tecnologia se localizam na área da baía de San Francisco. O principal fator para a produção do tecnopólo foram os semi-condutores e o silício como sua matéria-prima.
O mercado de trabalho compreende um grupo altamente especializado e qualificado, e outro de baixa qualificação (mulheres e imigrados). Devemos salientar que o nível de sindicalização é baixíssimo. Característica marcante na implantação do tecnopólo.
No caso francês, os anos 80 foram marcados pela presença de complexos industriais portuários, notadamente Dunkerque e Fos. Paralelamente a DATAR (Delegation de L’Amenagement du Territoire) "os tecnopólos são um meio de equilibrar o território de numerosas regiões, entre cidades de porte internacional, cidades médias e o interior"35 . Até o início da década de 90, existiam 50 tecnopólos em toda a França, sendo o principal de Sophia Antipolis (Nice). Aliás, em atividade desde 1969.
Sophia Antipolis foi inspirado no exemplo norte-americano. Em seu projeto existia a mesma preocupação do Silicon Valley: a criação de uma grande infra-estrutura que propiciasse um bom retorno em relação aos investimentos aplicados. Entretanto, a iniciativa foi individual e, posteriormente, o Estado associou-se . A concepção foi de Pierre Lafitte, político e cientista.
Em 1970, nascia o Parque Internacional de Atividades de Valbonne-Sophia Antipolis. Até 1991, 14.267 empregos estavam ligados a Sophia Antipolis, nas áreas de eletrônica-informática, telecomunicações-telemática, ciência da saúde, química, etc36 .
Dessa maneira, observamos que os tecnopólos são cada vez mais uma realidade presente nos países centrais
No mundo desenvolvido, podemos apontar como exemplo a Terceira Itália (Emília-Romana) e Corredor M 4 (Cambridge, Inglaterra). No Brasil com as devidas proporções, podemos citar a EMBRAER, o CTA/ITA e o INPE, que são alguns exemplos próximos aos tecnopólos.

CONCLUSÃO

Como podemos observar ao longo de nossa de nossa dissertação, as grandes mudanças tecnológicas foram de fundamental importância para a introdução no pós-fordismo. O microprocessador e as novas interfaces eletrônicas assumiram um papel de ponta em todo esse processo. Inclusive, o final deste século caracteriza-se por esse aspecto: a Terceira Revolução Industrial ou a Revolução Tecno-científica, encurtaram profundamente as distâncias e a organização da produção.
O fordismo cumpriu um papel importante na formação de um grande mercado de consumo de massa, através da elevação do investimento per capita. Entretanto, o sistema chegava ao colapso no final dos anos 60 e início dos anos 70.
As relações foram profundamente alteradas, principalmente no que se refere a desarticulação do “trabalho rígido” que foi substituído pelo “trabalho flexível”. O ataque ao Welfare State, foi de fundamental importância na consolidação desse processo. Sem as amarras do sistema que permitia amplas garantias aos trabalhadores, surgiu a flexibilidade esperada. Com essa flexibilidade foi possível diminuir os custos e recuperar a produtividade.
Por outro lado, os países centrais aumentaram os investimentos tecnológicos que tiveram início nos anos 50, quando foi criado o primeiro tecnopólo, o Silicon Valley. Atualmente, quase todos os países apresentam tais centros de excelência tecnológica.
O domínio da tecnologia de ponta é uma condição sine qua non para se trilhar os caminhos do desenvolvimento econômico, servindo inclusive como uma lição para os países subdesenvolvidos industrializados, entre eles o Brasil. Infelizmente estamos atrasados no processo tecnológico.
A pouca importância dada a pesquisa e ao desenvolvimento, através da falta de recurso nas universidades, acentuam nossa dependência das “tecnologias estrangeiras”. Sem investimento nesses setores, ficamos à mercê da tirania dos altos preços das tecnologias que, não raro, são de antepenúltima geração.
Com a chegada da globalização, os mercados são disputados com grande afinco, onde a vantagem, são daqueles que possuem maior competitividade. Os Tigres Asiáticos saíram na frente e já despontam na produção tecnológica mais sofisticada.
Certamente não haverá grandes alterações no atual ranking dos países que dominam as tecnologias avançadas, cabendo ao países Terceiro Mundo tentar alcança-los. Somente uma política de investimentos no setor tecnológicos poderá romper tal perspectiva.

NOTAS
[16][1] L. Valladares & E. Preteceille. Reestruturação Urbana-Tendências e Desafios (Orgs.), Rio de Janeiro, Nobel/Iuperj, 1990, p.7.
[17][2] Ibid, p. 8
[18][3] Ibid, p. 9
[19][4] D. Leborgne & A. Lipietz. Flexibilidade Defensiva ou Flexibilidade Ofensiva: Os Desafios das Novas Tecnologias e da Competição Mundial, In: Reestruturação Urbana-Tendências e Desafios (Orgs.), Rio de Janeiro, Nobel/IUPERJ, 1990, p. 18.
[20][5] Ibid., p. 18.
[21][6] M. Boddy. Reestruturação Industrial, Pós-Fordismo e Novos Espaços Industriais, In: Reestruturação-Tendências e Desafios, Rio de janeiro, Nobel/IUPERJ, 1990, p.49 a 54.
[22][7] D. Harvey, Condição Pós-Moderna, São Paulo, Edições Loyola, 1992, p. 121.
[23][8] Ibid., p. 121.
[24][9] D. Leborgne & Lipietz, Op. cit., p. 20.
[25][10] Op. cit., p.123 e 124.
[26][11] Ibid., p. 125
[27][12] Op. Cit., p. 20
[28][13] Op. Cit., p. 128.
[29][14] D. Leborgne & A. Lipietz, Op. Cit., p.22.
[30][15] D. Harvey, Op. Cit., p. 135 136.
16 H. M. Tavares, Complexos de Altas Tecnologia e Reestruturação do Espaço, In: Caderno IPPUR/UFRJ, Rio de Janeiro, V, VII, 1, 1993, p.41.
17 D. Harvey, Op. cit., p. 140.
18 Op. cit., p. 25.
19 M. Boddy, Op. cit., p. 46.
20 Op. cit., p. 41.
21 Ver D. Harvey, Op., cit., p.143.
22 Ver D. Leborgne & A. Lipietz, Op. cit., p.26.
23 Ibid., p. 26.
24 Ibid., p. 27.
25 Ver origem do termo em D. Leborgne & A. Lipietz, Op. Cit., p. 28.
26 M. Boddy. Op. cit., p.47
27 Ibid., citando Scott, p.47.
28 Ibid., p.47.
29 H. M. Tavares, Op. cit., p.42.
30 L. C. Lima. Tecnopólo: A Formação de uma nova territorialidade, In: O Novo Mapa do Mundo - Fim de Século e Globalização (Orgs.). São Paulo, Hucitec/ANPUR, 1993, p. 286.
31 Ibid., p. 288.
32 H. M. Tavares, Op. cit., p. 139.
33 Ver, Op. cit., p. 286 e 287.
34 Op. cit., p. 44.
35 Tavares cita o Le Monde Diplomatique, Op. cit., p. 45
36 Op. cit., p. 46.


BIBLIOGRAFIA

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BODDY, M. Reestruturação Industrial, Pós-Fordismo e Novos Espaços Industriais. In: Reestruturação Urbana — Tendências e Desafios (Orgs.). Rio de Janeiro, Nobel/IUPERJ, 1990.
GUNN, Philip. A Indústria Automobilística nos Anos Recentes: as inflexibilidades da globalização. In: O Novo Mapa do Mundo — Fim de século e Globalização (orgs.). São Paulo, Hucitec/ANPUR, 1993.
HARVEY, DAVID. Condição Pós-Moderna. São Paulo, Edições Loyola, 1992.
LEBORGNE, D. & LIPIETZ, ALAIN. Flexibilidade Defensiva ou Flexibilidade Ofensiva: os desafios das novas tecnologias e da competição mundial. In: Reestruturação Urbana — Tendências e Desafios (Orgs.). Rio de Janeiro, Nobel/IUPERJ, 1990.
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